A POSSIBILIDADE DE GOLPE MILITAR É REAL

A POSSIBILIDADE DE GOLPE MILITAR É REAL

Por motivos totalmente diferentes dos alegados em 64, porque outra era a conjuntura internacional, os militares começaram a se assanhar.


O general Mourão, numa solenidade maçônica (onde tem ilícito tem maçom, é incrível) afirmou que há um plano muito bem elaborado para o exército intervir na situação política nacional, leia-se um bem elaborado plano golpista.
Esperamos que seus superiores se manifestassem, desautorizando Mourão, o que não aconteceu de imediato.
Logo Jungmann, Ministro da Defesa, ao invés de se pronunciar, principalmente por causa da ausência de Temer, cobrou um pronunciamento do Comandante do Exército, uma inversão de valores, já que Jungmann é superior, hierarquicamente, ao CE.
E o pronunciamento veio, corroborando tudo o que Mourão afirmou, inclusive recebendo elogios do seu superior, sendo tratado por Gauchão, pelo companheiro de farda.
E o Comandante foi além: confirmou estar pronto um plano de intervenção (golpe) e que o artigo 142 da Constituição permite isso.
Que há um plano, minucioso e bem elaborado não duvido, que essa possibilidade (de um golpe) já vem sendo discutida nas esferas superiores das FFAA também não duvido, só duvidando da afirmação de que o artigo 142 permite a transformação das FFAA em poder constituído.
Vejamos: Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer um destes, da lei e da ordem.
De imediato descartemos a possibilidade de defesa da pátria. Não estamos ameaçados de invasão ou ataque, por iniciativa de outro país, bem como não há nenhum movimento separatista, pondo em risco a unidade territorial do país
Resta então o que os oficiais generais chamaram de “caos”, palavra que não consta na Constituição, mas, ainda que constasse, a Constituição é explícita: interviria se provocada (por solicitação) por um dos três poderes.
O que se engendra nos subterrâneos dos quartéis é um golpe mesmo.
E por que isso?
No pronunciamento, Mourão alegou a corrupção, o que não é nem nunca foi preocupação das FFAA, a questão é outra, e deve ser analisada num contexto materialista histórico e não no idealismo barato, manipulador, da mídia.
Isto passa pela análise das conseqüências de quatro vitórias eleitorais das forças populares (não necessariamente de esquerda), com viés de continuidade por mais muitos anos, levando a burguesia a se mexer.
Isto no plano interno.
No externo, preocupado com as sucessivas crises no Oriente Médio, as altas despesas de guerra e a dependência total do petróleo de lá, os norte-americanos diminuíram a vigilância sobre o “seu (deles) quintal”, permitindo o surgimento de Evo Morales, Kirshner, Mujica, Hugo Chávez, Michelle Bachellet e, evidentemente, Luis Inácio Lula da Silva.
Pelo tamanho do território e da população, do mercado interno, das riquezas naturais, o Brasil logo despontou na liderança.
Percebendo os acertos de programas implantados no Brasil, países da África e do meio oriente tornaram-se mais receptivos a nós, nos permitindo esticar os tentáculos políticos e econômicos, ora de maneira solidária e irmã, ora de maneira imperialista, não se iludam, roubando espaço político, prestígio e dinheiro na balança comercial dos Estados Unidos.
Logo nos agregamos ao Brics.
Em termos de PIB e poderio militar pouco representamos no cenário global, mas há um dado altamente preocupante para os norte-americanos e europeus: as economias da China e do Brasil são complementares e a China deverá ser a próxima potência hegemônica do planeta, nos levando como satélite, primeiro, e segunda ou terceira potência, depois.
Isto acendeu as luzes vermelhas do Federal Reserve e do Pentágono, e veio o golpe e a suruba atual, o que justifica o assanhamento dos militares, braço armado das burguesias nacional e internacional.
Mas da suruba em que nos meteram falo no próximo artigo.
Francisco Costa

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