Um ano do golpe, um ano de retirada de direitos

Um ano do golpe, um ano de retirada de direitos

Há um ano, o Senado aprovou o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff ajudando a escrever uma das páginas mais vergonhosas da história do Brasil. Mesmo que alguns tentem negar, o processo de impeachment, sem crime de responsabilidade, ainda que disfarçado por ritos institucionais, tem nome: golpe de Estado. A conspiração parlamentar, orquestrada pela direita, por setores do judiciário e da grande mídia, surrupiou os votos de 54,5 milhões de brasileiros e brasileiras e, com eles, a própria democracia.
Como não conseguiram retornar ao governo de forma democrática, já que o povo repudia o projeto neoliberal, essa foi a saída encontrada pelos setores hegemônicos do capitalismo brasileiro para interromper e reverter o processo de mudanças sociais iniciado em 2003, com o governo Lula. Consolidou-se ali o roteiro de um golpe parlamentar que arruinou a economia brasileira, trazendo uma onde de desemprego, retirando direitos e desmoralizou a imagem do Brasil no mundo. De país admirado pela melhoria dos indicadores sociais, o Brasil voltou a ser uma típica república entreguista.
O Brasil, como podemos constatar, está tomando um rumo muito perigoso e incerto, que afeta diretamente aos mais pobres. No plano econômico, o emprego escasseia e a economia não anda. As privatizações de recursos fundamentais colocam em risco a soberania nacional. No plano social, programas como o Minha Casa Minha Vida, ProUni, Farmácia Popular, Fies, Ciências Sem Fronteiras estão sendo deixados de lado. São muitos os retrocessos, entre eles a retirada de direitos dos trabalhadores e o congelamento dos gastos públicos por 20 anos. O resultado desta medida já vem sendo sentindo, um exemplo são as universidades federais que ameaçam fechar as portas.
O impeachment, que aos olhos de alguns foi apenas mais um capítulo no combate a corrupção no país, colocou no poder um presidente ilegítimo a serviço do capital. É bom lembrar que até o argumento de combate a corrupção já foi desmascarado pelo próprio Michel Temer, em entrevista concedida à TV Bandeirantes. Nela, Temer confessou que Dilma só foi derrubada porque não garantiu os três votos no conselho de ética que poderiam ter salvo seu parceiro Eduardo Cunha.
Ficam o exemplo de dignidade e resistência da presidente Dilma, que não se rendeu a chantagens, e a certeza de que a luta pela democracia e justiça social não terminou. Pelo contrário, está apenas recomeçando. A esperança já venceu o medo uma vez. E com ela, venceu a luta por justiça social. Seguiremos, na certeza que ela vencerá novamente, somente assim daremos um fim ao retrocesso que assola o Brasil!

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